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Maio/junho 2009
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Electric
- The Cult
Por Ricardo Seelig - Editor do Blog Collector´s
Room
Ian
Astbury e Billy Duffy são os responsáveis por um
dos melhores discos lançados durante os anos oitenta. Terceiro
álbum do Cult, Electric (Beggars Banquet) é um registro
único na carreira dos londrinos, apresentando em suas onze
faixas um hard rock vigoroso, direto e repleto de energia, que
bebe no melhor do que o estilo produziu na década anterior.
Ao lado de Astbury e Duffy estavam o baixista Jamie
Stewart e o baterista Les Warner. O quarteto juntou forças
ao produtor Rick Rubin para transformar a anterior sonoridade
da banda, um rock com influência gótica e uma benvinda
dose de peso, em um arregaço regado a inspirados riffs
de guitarra e interpretações vocais antológicas.
Billy Duffy estava possuído em Electric.
O guitarrista louro pegou para si o posto de legítimo herdeiro
da nobre linhagem de riffmakers do rock, que inclui nomes lendários
como Angus Young, Jimmy Page, Tony Iommi e Rick Davies, e, banhado
de luz e inspiração, pariu uma sequência sensacional
de notas que colocam Electric na categoria daqueles discos onde
a guitarra, mais do que qualquer outro instrumento, é a
espinha dorsal, a alma e o sangue que escorre pelos sulcos.
As cinco primeiras faixas não deixam espaço
para o ouvinte respirar. O Cult entrega um dos melhores lados
A da década de oitenta, jogando o ouvinte contra a parede
com um ataque frontal e selvagem de Wild Flower, Peace Dog,
Lil´ Devil, Aphrodisiac Jacket e Electric
Ocean, todas devidamente abençoadas por riffs faiscantes
que brotam como água da guitarra de Billy Duffy. As duas
primeiras são pedradas hard certeiras, influenciadas claramente
pelo AC/DC. Já Lil´ Devil coloca um certo
groove na jogada, e era essa faixa que, do alto dos meus dezesseis,
dezessete anos, eu tocava feito louco nas festinhas particulares
que minha turma de amigos promovia no interior do Rio Grande do
Sul - bons tempos aqueles.
Entretanto, foi o riff de Aphrodisiac Jacket
que me fez comprar o disco, pois foi ouvindo essa canção
que me vi obstinado atrás do LP. Mais cadenciada, ela exemplifica
a inspiração absurda do Cult em Electric, cativando
qualquer pessoa que tenha o rock correndo nas veias e, ao mesmo
tempo, honrando os grandes nomes que foram fundamentais para o
surgimento e desenvolvimento do hard rock, como Cream, Jimi Hendrix
Experience, Led Zeppelin, Mountain, Grand Funk Railroad e inúmeros
outros.
O lado B, apesar de não ser tão iluminado
quanto o primeiro, possui as duas faixas mais conhecidas de Electric:
Love Removal Machine e o cover de Born to Be Wild,
do Steppenwolf. A primeira tocou feito louco nas rádios
desde o momento em que o play foi lançado, e é uma
das trilhas mais marcantes das lembranças de um tempo de
descobertas, onde éramos felizes sem ao menos saber. E,
em um disco cujas composições nos transmitem sensações
sublimes, sendo uma das mais fortes a liberdade, a escolha da
clássica Born to Be Wild como releitura não
poderia ser mais apropriada. Aliás, o peso que o Cult imprimiu
transformou a sua versão em uma das preferidas entre as
milhares de interpretações que a canção
já ganhou - inúmeras delas, diga-se de passagem,
pra lá de dispensáveis.
Quando um disco nos faz sentir certas coisas, é
preciso abrir os olhos e ouvi-lo com atenção. Electric
nos faz primeiro aumentar o volume do som; em seguida já
estamos empunhando nossa Les Paul e tocando air guitar alucinadamente;
quando vemos, cantamos os solos das faixas a plenos pulmões
- Wild Flower e Love Removal Machine que o digam;
por fim, quando o CD acaba já estamos ouvindo-o novamente.
Enfim, Electric é um discaço de rock,
daqueles que cativam novos adeptos e fazem rockers veteranos como
eu se apaixonarem, de novo e mais uma vez, pelo gênero que
os viu crescer. Agora, chega de papo que a minha Les Paul já
está apitando aqui do lado...
Faixas:
A1. Wild Flower - 3:37
A2. Peace Dog - 3:34
A3. Lil´ Devil - 2:44
A4. Aphrodisiac Jacket - 4:11
A5. Electric Ocean - 2:49
A6. Bad Fun - 3:37
B1. King Contrary Man - 3:12
B2. Love Removal Machine - 4:17
B3. Born to Be Wild - 3:55
B4. Outlaw - 2:52
B5. Memphis Hip Shake - 3:59
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