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Maio/junho 2009
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Entrevista
com Igor Prado
Maior
revelação do blues nacional dos últimos tempos,
o bluesman paulista tem grande prestígio nos EUA e Europa.
À frente da Prado Blues Band, no qual lançou três
discos, encantou o público com uma deliciosa sonoridade
vintage, própria do jump blues. A carreira solo, não
menos genial, segue firme e recebe importantes elogios. Conheça
Igor Prado, sem dúvida, um dos grandes músicos desse
país.
O seu CD solo, Upside Down (Chico Blues
Records), foi eleito pela revista americana Real Blues como um
dos 100 melhores de 2007. Você fica triste por não
ter o mesmo reconhecimento da imprensa brasileira?
Igor Prado - Não, porque não há uma cena
desse estilo, uma categoria em que o nosso trabalho se enquadre,
aqui no Brasil. Penso que o reconhecimento é tocar por
todos os cantos do país e ver as pessoas curtindo o som,
comprando os discos, se interessando e fazendo perguntas sobre
jump blues e swing. Há cinco ou dez anos ninguém
se interessava.
Jerry Hall, renomado produtor americano e dono
da Pacific Blues Co., deu a
seguinte declaração sobre o disco Flávio
Guimarães & Prado Blues Band (Chico Blues Records no
Brasil e Pacific Blues Co. na California): "O Brasil não
é conhecido pelo blues, mas Flávio Guimarães
e Prado Blues Band estarão mudando isso com seu mais novo
cd!". Gostaria que você comentasse essa declaração.
IP - Isso nos deixa muito orgulhoso, porque o Jerry é um
cara das antigas e, inclusive, já trabalhou na lendária
Motown, onde gravou nomes como Marvin Gaye, Smokey Robinson e
Stevie Wonder. Já produziu também muita gente da
pesada do blues, como Kim Wilson, Rod Piazza e muito outros.
Ainda sobre o disco com o Flávio, como
foi gravar com dois gaitistas virtuosos (Flávio Guimarães
e Ivan Marcio)?
IP - Foi maravilhoso! Eu praticamente aprendi a tocar guitarra
sempre com um gaitista me acompanhando ao lado, gosto muito de
gaita, apesar de não tocar. Foi muito legal tocar e produzir
esse álbum com dois grandes gaitistas, até hoje
esse disco é um dos meus favoritos! Inclusive, atualmente,
o meu trio gravou no disco novo que o Flávio lançará
esse ano, um álbum só com blues tradicional.
O jump blues ou West Coast blues não
é muito praticado no Brasil. Como se deu essa influência?
Você, desde cedo, escutava esse estilo ou foi uma descoberta
posterior?
IP - Esse estilo não é muito praticado em lugar
algum. É um movimento feito por poucas pessoas que estudam
música e tocam ao redor do mundo. Costumo dizer que é
um mix entre o blues e o jazz. Os mestres dessa "onda"
estão quase todos mortos e apena uma pequena minoria continuou.
Eu sempre ouvi muito o rhythm and blues de Little Richard e Chuck
Berry, já que eles beberam muito do swing. Desde cedo,
quando começamos a tocar nossos instrumentos, pesquisamos
e estudamos demais esse estilo, assim como o blues tradicional.
A Prado Blues Band foi uma das grandes revelações
do blues brasileiro. Como foi o começo da banda?
IP - Nós morávamos bem próximos um dos outros
no ABC (SP) e escutávamos praticamente as mesmas coisas.
Resolvemos, então, nos juntar e tocar. Esse foi o melhor
aprendizado. Curiosamente, fizemos o nosso primeiro ensaio após
um ano tocando juntos para a gravação do primeiro
CD (risos).
Você já excursionou pela Europa.
Como foi a recepção? Os músicos brasileiros
são bem vistos no exterior?
IP - Não só na Europa, mas, principalmente, nos
EUA. Este ano fui à Califórnia (West Coast Area)
para mixar o álbum novo que sairá no segundo semestre.
Acabamos de gravar com um dos pioneiros do west coast blues californiano,
o cantor e gaitista Lynwood Slim. Aproveitei para fazer alguns
shows com o Lynwood em vários lugares tradicionais no Sul
da Califórnia. Percebi que eles já têm um
respeito bem legal por nós, parece que eles nos veem como
alguém novo dando continuidade a um movimento bem característico
da região deles que, infelizmente, não é
renovado pelos novos artistas de lá.
Qual o seu set básico?
IP - Uso uma réplica da Gibson Goldtop de uma marca americana
chamada Dillion com captadores enrolados a mão por um especialista
chamado Jason Lollar, um americano que reproduz os melhores P90´s
atuais. Utilizo um amplificador Fender Twin Tweed, um modelo reeditado
dos antigos twins dos anos 50.
Qual a diferença entre os discos da Prado
Blues Band e o da sua carreira solo? Pode-se dizer que é
um trabalho mais focado na guitarra ou que é um Igor Prado
mais "solto"?
IP - Acho que a minha carreira solo é o seguimento do que
fazíamos na Prado, mas um pouco mais focado no saxofone
e na guitarra. É um pouco mais jazzy e misturado com rhythm
and blues e outras sonoridades do que na Prado. Acredito que seja
uma evolução natural de todos da banda.
O Jump Blues é americano, com influência
do swing jazz. Porém, você teve,
também, alguma influência do blues inglês?
Ou podemos dizer que o seu som é "genuinamente americano"?
IP - Acredito que nosso som tem muitas influências. Atualmente,
tenho escutado até choro, pois acredito que esse estilo
e o swing têm muita coisa em comum.
Quais são os seus planos futuros, tanto
com a Prado como na carreira solo?
IP - Continuar com todos os projetos, fazer
bastantes shows pelo Brasil a fora e mostrar o som para o máximo
de pessoas possível. Esse será o terceiro ano consecutivo
de shows na Europa e estamos muito felizes! Em Junho, iremos para
dois festivais na Espanha, tocaremos com o gaitista americano
Mark Hummel e, ainda, pretendo fazer algumas coisas com o meu
quarteto também.
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